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Continuando parte III
Pedir chope sem colarinho
Não precisa repetir, a gente sabe que chope que é chope TEM colarinho. Está bem, é a espuma que mantém o sabor e a temperatura, blablablá, patati-patatá etc. Mas, e daí? De repente, é a impressão de ter o copo mais cheio. Ou, quem sabe, o gosto do carioca é apenas diferente. O fato é que aqui se pede chope sem espuma, ponto final. E não se fala mais disso.
Orgulhar-se do Teatro Municipal
Por causa daquela escadaria, daqueles mármores, daquela abóbada... O Municipal é chiquérrimo e tem uma programação popular exemplar — amanhã, por exemplo, Paulinho da Viola se apresenta com a Velha Guarda da Portela e a OPPM, com ingressos a partir de R$ 2.
Se perder a caminho de Barra de Guaratiba
Os amigos fazem mapas e dão referências, mas quem vai pela primeira vez a um restaurante por lá acaba se perdendo — seja porque esqueceu de virar na placa de “Vendo mel” ou porque se encantou com a paisagem. O Bira talvez seja o mais escondido. E, para o Rio Show, é o melhor.
Bira: Estrada da Vendinha 68-A, Barra de Guaratiba — 2410-8304. Qui e sex, do meio-dia às 18h; sáb e dom, do meio-dia às 20h.
Ter a sua loja de sucos preferida
Não, não são todas iguais. Nem os sucos são sequer parecidos. Tem aquelas onde o de manga, por exemplo, vem mais ralo. Tem outras onde, por mais que se peça o contrário, a bebida vem com açúcar. Tem as caras e as baratas; as limpinhas e as sujas. Não interessa: cheias de personalidade, as lojas de sucos são todas diferentes. Descobrir qual é a sua é um exercício de cidadania carioca.
Sonhar com o dia em que o metrô vai chegar à Barra
Precisa explicar por quê?
Ir à praia mesmo com o mar poluído
Carioca, carioca mesmo, não consegue acreditar que possa pegar uma doença em águas tão queridas. Coliformes? Língua negra? Hã?
Ter boas lembranças do tempo em que o mate e o limão só eram vendidos em galões de alumínio
"Olha o mate, olha o limão!” Carioca de verdade não esquece o grito da legião de ambulantes que equilibrava os barris nos ombros e servia os refrescos em cones de papel.
Ver uma das capivaras da Lagoa
Não porque ficou de tocaia, mas porque mora no Rio e não raro uma das duas capivaras está lá, à disposição do olhar. O macho mora em frente ao Parque do Cantagalo e pode ser visto no começo da tarde. A fêmea mora perto do Vasco e aparece ao crepúsculo.
Capivaras: Parque do Cantagalo, na Av. Epitácio Pessoa. Clube de Regatas Vasco da Gama, na Av. Borges de Medeiros.
Almoçar ‘salgado e refresco a R$ 1’
Sabe aquele papo de “não tenho tempo para nada”? Pois é a melhor desculpa para saborear - é, saborear! - a onipresente promoção do “salgado e refresco a R$ 1”. Nada melhor que uma boa desculpa para cair de boca na junk food à carioca. A tal promoção está em todos os botequins, em todos os bairros. Escolha a sua e boa sorte.
Tomar sustos freqüentes com a beleza da cidade
Basta lembrar da saída do Túnel Rebouças na Lagoa. Ou do momento em que o carro entra na avenida que margeia a Baía de Guanabara, na Urca. Ou do oceano visto do Elevado do Joá. Ou da Prainha surgindo na estrada para Grumari. Essas paisagens são velhas conhecidas e, no entanto, continuam nos surpreendendo.
Comer pizza no balcão da Guanabara
A pizza servida no balcão é melhor que a servida na varanda (o salão, todo mundo sabe, é para turistas). Analistas sérios dizem que é porque ela chega mais rápido para quem está de pé. E discutem isso no balcão da Guanabara, claro.
Pizzaria Guanabara: Av. Ataulfo de Paiva 1.228, Leblon — 2294-0797. Diariamente, das 9h ao último cliente.
Continuando parte II
Garimpar na Saara
Precisa ter fôlego para percorrer vielas quentes, apertadas, lotadas de consumidores ávidos, entre a Rua Uruguaiana e o Campo de Santana, no Centro. Horas depois, volta-se para casa com sacolas e sacolas cheias de flores de plástico, camisas costuradas em 1974, anáguas que viram saias, cortinas de plástico para banheiro, tapetes de grama artificial etc etc etc. Tudo por uns R$ 50, no máximo.
Adorar filé com queijo
Esqueça o salmão defumado com cream cheese na ciabatta . Ignore o brie com damascos e não dê a menor bola para o prosciutto , as endívias e a focaccia . O sanduíche preferido do carioca leva filé mignon, queijo derretido e, no máximo, uma rodela de abacaxi, como na imbatível versão do Cervantes.
Cervantes: Av. Prado Junior 335, Copacabana — 2275-6147. Dom e de ter a qui, do meio-dia às 4h; sex e e sáb, do meio-dia às 6h.
Dar a volta no flanelinha
É um rito de passagem fundamental, pois nada se compara à felicidade de arrancar com o carro sem perder suados tostões para os marmanjos que loteiam as ruas. Se ajudassem, o.k. Se prevenissem assaltos, melhor. Mas é só dar as costas que os caras somem. Dar a volta no flanelinha funciona como terapia e um ritual de iniciação para quem quer ostentar o título de carioca.
Convidar para a sua casa alguém que você acabou de conhecer
Sem dúvida, um monumento à carioquice. Dos mais bacanas, por sinal, como cadeira na calçada em dias de muito calor e chopinho depois do trabalho. Mais bacana ainda quando o convite não é apenas gentileza de ocasião.
Viver esbarrando em conhecidos
Você vai comprar um remédio na farmácia da esquina e, pimba!, lá está aquele colega de trabalho. Segue para aquela caminhada na praia e, voilà !, esbarra na ex-namorada. À noite, no Baixo Gávea, está todo mundo lá — inclusive aquele amigo da escola sumido há anos. Não tem muita explicação, é coisa de balneário. Ainda bem.
Ter tomado um porre inesquecível de batida do Oswaldo
Os mais novos podem não saber disso, mas o Bar do Oswaldo, perto da famosa rua dos motéis, na Barrinha, teve dias de glória. A docíssima batida de coco, digno exemplar da era que antecedeu o boom da gastronomia, é um ícone.
Bar do Oswaldo: Estrada do Joá 3.896, Barra — 2493-1840. Diariamente, do meio-dia às 2h.
Levar uma cantada de um operário de obra
A cidade tem muitos canteiros de obras, os rapazes trabalham entre parceiros do mesmo sexo, o calor é grande... Sabe como é. Levar uma cantada de um deles é tão comum que chega a ser frustrante jamais ter ouvido um “Você é a nora que mamãe pediu a Deus” — isso nos casos mais elegantes, é claro.
Ficar sabendo dos programas da noite na praia
Só fica em casa quem não encarou o teste da areia, nem que tenha sido à tardinha, só para se informar.
Ignorar os panfleteiros
É como dar a volta no flanelinha, mas com culpa, muita culpa — afinal, o cara está trabalhando, e passar o dia em pé distribuindo papeizinhos na calçada não deve ser mole. A questão é que carioca não tem tanta jóia para atender aos reclames de "Compro ouro" nem está tão a perigo a ponto de acreditar nos panfletos de "Trago a pessoa amada em três dias". CHEGA!
Comer o cabrito do Capela
Um clássico tão clássico que é anterior ao surgimento da palavra colesterol. Pode até pesar no estômago; no bolso pesa muito pouco, pois o cabrito do Capela - carioca se recusa a chamar o tradicional restaurante de Nova Capela - é facilmente divisível por três.
Nova Capela: Av. Mem de Sá 96, Centro — 2252-6228. Diariamente, das 11h ao último cliente.
Gente, eu sei que desabafei ainda pouco, sei também que outro dia falei da violência mas ser carioca é isso. Reclamar porque nosso Rio de Janeiro tem problemas e queremos melhorá-lo. Nossa Cidade Maravilhosa é mesmo muito especial.Por causa disso, venho agora me redimir das reclamações que já fiz, e até das que ainda farei com um texto (Eeeenorrrrrrrrmeeeeeeeeeee) que saiu hoje no Caderno Rio Show do Jornal O Globo.
O Carioca Essencial
Boa noite a todos!
Sei que estou em débito com todos, mas esses últimos dias foram de correria total.
Era imposto de renda pra fazer, minha acupuntura, comecei a fazer RPG, minha tia viajou e eu além de fazer rango todo dia, arrumar a casa e lavar roupa, ainda tive que levar a filhota todos os dias ao ballet.
Mas já já tudo volta ao normal.
Mudando de assunto, ontem rolou um stress com minha amiga Vera na C&A. Ela comprou umas peças e levou para experimentar em casa. Não ficou legal e ela foi trocar uns 2 dias depois.
Chegou lá e nem deram atenção, foram ríspidos e ela não teve dúvidas e chamou a polícia.
Na mesma hora me ligou pedindo para eu ir me encontrar com ela.
Claro que fui né? Depois de algumas argumentações a gerente da loja pediu até perdão e trocou tudo.
Agora o que me chocou nem foi essa história. Quando saímos da loja, tinha uma gangue de pivetes adolescentes simulando uma briga. Claro que o intuito era desviar a atenção de quem passava para furtar os desatentos. Logo depois da C&A, quase na esquina, 5 guardas-municipais estavam observando a cena. Quando estávamos passando por eles, fomos chamadas. Galera, leia o diálogo que rolou: "Senhoras, não sigam agora, esperem um pouco". Claro que eu nao consegui ficar calada né? e disse: "Não acredito que um guarda-municipal, responsável pela segurança do município esteja me dizendo para não seguir, por causa dos pivetes." E ele sem jeito disse: "Senhora, o Sr. Siro Darlan não permite que se faça nada contra esses marginais. Se a senhora seguir e algo acontecer, não poderemos fazer absolutamente nada".
Vocês acreditam nisso?? Pois eu custei a crer. Mas é a mais pura verdade. Estamos entregues aos pivetes, marginais e a impunidade.
Desculpem-me o desabafo, mas essa de ontem passou das medidas.
Beijocas